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o Systems de Www Ou isso, ou aquilo
Entregue a essa decisão de não ter o amor de Regina, Søren escreve seu primeiro livro, Enten-eller, significando toda sua dúvida em seguir de volta a sua vida preguessa um tanto mundana ou estar trilhando o caminho do próprio ser em uma busca pela integralidade de sua alma e pensamentos, na qual o mundo seria sua eterna escola em direção ao ser individual. Uma busca que demonstra o seu ser melancólico, em eterno conflito com um mundo de seduções e amores e o outro lado da vida, onde a beleza está em ser inteiro, buscando a Deus e a compreensão do próprio ser em relação à Criação.
O filósofo e escritor dinamarquês retrata pela primeira vez uma característica que permeia a existência humana, afirmando haver três estágios nos quais o ser é inserido de acordo com sua visão e experiências individuais.
O primeiro estágio, chamado por ele de estético, é caracterizado quando a pessoa sente-se impotente diante suas próprias realizações, acreditando ser incapaz física e espiritualmente de realizar seus desejos e isso leva-a ao desespero e assim ao pecado, pois age de forma pragmática, na qual o prazer momentâneo do belo e do desejo imediatista satisfeito é o que lhe garante a felicidade. É descrito como o paraíso das experiências sensoriais.
O segundo estágio é o ético, estágio esse sucessor direto do primeiro, o estético, garantindo uma evolução no caminho da condição humana. No estágio ético, Søren afirma ter já o ser abandonado seus prazeres e gostos pessoais por haver encontrado nas leis da moral e da conduta universais um patamar melhor para sua existência. A pessoa que entra no estágio ético, compreende que as leis, ainda que de forma um tanto abstrata em sua concepção, são mecanismos que restringem o comportamento humano e que podem ser um guia na racionalidade. A moral e a ética levam o indivíduo a aceitar uma certa limitação e desse modo o peso da culpa faz-lhe entrever o próprio ser de forma individual, o qual agindo pragmaticamente vem a ferir a outros que de encontro possam ter ideais e conceitos diferentes aos seus. Cada qual possui sua verdade, e a ética nos faz lembrar de pensar e pesar os atos antes de agir, 'inda que não saibamos qual terreno estamos pisando, a ética é universal ao contrário do ser, que é único e individual. Nela cabem todos os preceitos e nesse ponto conhece-se o valor da vida.
O terceiro estágio, conhecido como religioso, na visão de Søren o mais difícil de ser assimilado. Garantindo que o segundo estágio, o ético, não é definitivo na vida do ser, conquanto essa culpa e esse peso de sempre estar avaliando os próprios atos e pensamentos levam a pessoa a se colocar em uma posição de decisão na qual ou permanece no primeiro estágio, o estético; ou migra para o terceiro, o religioso. O estágio ético é como uma mola propulsora que não permite à pessoa a permanecer apenas naqueles padrões de compreensão. Ela necessita mais. E essa transição para o religioso é difícil e dolorosa, assim muitas das vezes, a pessoa adere ao que lhe parece mais confortável e fácil, retornando ao primeiro estágio, o estético.
Porque, para se garantir o alcance definitivo do estágio religioso, a pessoa necessita se comprometer com a própria fé e nunca duvidar ou retornar ao ponto de partida, o primeiro estágio. A crença em um Deus vivo e forte, não somente em uma imagem ou pensamento, mas um Deus supremo e no qual o Amor é representado de forma íntegra, o único caminho, a Verdade suprema. Uma compreensão que muitas vezes fere o próprio ego, mas que ao ser atingida no estágio religioso, serve de guia a uma existência engrandecedora e verdadeira.
Na época em que escreveu seu livro Enten-eller, o filósofo Søren Kierkegaard adotava o pseudônimo de Johannes Climacus. Søren Kierkegaard utilizou de outros pseudônimos, como Victor Eremita, enquanto escrevia a obra mais importante de sua própria história literária e filosófica. A primeira parte do livro Enten-eller, na qual Søren aborda o tema estético, o autor identifica-se apenas pela letra "A" como pseudônimo, embora na última seção desta primeira parte, conhecida como Diário de um Sedutor, Søren Kierkegaard já assine como Johannes Climacus. Kierkegaard escreveu a segunda parte de Enten-eller sob o pseudônimo: "B", o qual ele alternava assinando por vezes: "O juiz"; abordando o tema Ética.
Quando o livro foi às mãos dos leitores, não era de conhecimento público a autoria da obra, ficando assim oculto sob diversos nomes o verdadeiro autor de Either/or, ou "Ou isso, ou aquilo: um fragmento de vida."
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